sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Transplante Haploidêntico


Pesquisadores da Unicamp estão ultimando os preparativos para introduzir de forma experimental no Brasil uma nova modalidade de transplante de medula óssea, voltada ao tratamento de pacientes portadores de leucemias agudas. A técnica, denominada de transplante haploidêntico, consiste em manipular as células de um doador parcialmente compatível, de modo a fazer com que sejam toleradas pelo organismo do receptor. A grande vantagem do novo método em comparação com os procedimentos convencionais está justamente no fato de não depender da disponibilidade de um doador totalmente compatível, situação cada vez mais rara de ser encontrada.

Embora não possa ser considerado como uma panacéia contra a leucemia, o transplante haploidêntico é uma técnica promissora, na opinião do hematologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e membro do Comitê Científico da ABRALE, Cármino Antônio de Souza. De acordo com ele, a modalidade tem sido empregada experimentalmente em alguns importantes centros de pesquisa do mundo, como Seattle (Estados Unidos), Munique (Alemanha) e Perugia (Itália). No Brasil, segundo o docente, ela tem sido estudada por dois grupos: um da USP de Ribeirão Preto e outro formado por especialistas do Hemocentro e da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.

Para entender melhor como funciona o transplante haploidêntico, segundo Cármino Souza, antes é preciso saber como é realizada a técnica convencional. Quando o portador de leucemia aguda tem a indicação do transplante de medula óssea, um dos maiores desafios é identificar um doador que seja totalmente compatível. Normalmente, quem cede o material é um doador aparentado do doente, como irmão de mesmo pai e mãe.

Ocorre, porém, que a probabilidade de encontrar essa pessoa entre os familiares é de apenas 25%. “Como as famílias brasileiras estão se tornando cada vez menores, a dificuldade de localizar um doador aparentado completamente compatível tem se tornado proporcionalmente mais difícil”, explica o hematologista.

Uma alternativa, nesse caso, é tentar localizar um doador não-aparentado, mas totalmente compatível, por meio de buscas em registros de medula óssea tanto no país quanto no exterior. Tal opção esbarra, no entanto, em dois sérios problemas. Primeiro, a questão do custo. O procedimento exige um investimento de aproximadamente US$ 70 mil, algo em torno de R$ 160 mil. Segundo, a investigação é demorada, o que freqüentemente compromete o tratamento e leva o doente à morte.

No transplante haploidêntico, a identificação do doador fica facilitada, visto que ele pode ser parcialmente compatível. Para compreender melhor, tome-se o exemplo de dois irmãos. Ao nascerem, ambos recebem uma carga genética do pai e outra da mãe.

Assim, na hipótese de um deles ter que se submeter ao transplante haploidêntico, bastará que o outro, para ser o doador da medula óssea, apresente características análogas em apenas um dos dois haplótipos (combinações de polimorfismos que são transmitidos em bloco de geração para geração) do HLA, que é o antígeno de compatibilidade leucócita. Ou seja, a probabilidade disso ocorrer é maior do que a de encontrar um doador totalmente compatível. Mas como fazer para que não haja rejeição do material transplantado, uma vez que o doador não é totalmente compatível? De acordo com o hematologista Cármino de Souza, a resposta está na manipulação das células.

Espécie de “enxerto” – O que os médicos fazem no transplante haploidêntico é coletar do doador uma dose elevada de células-tronco e reprimir de maneira importante as células imunologicamente competentes, ou seja, aquelas responsáveis pela defesa do organismo. Com esse material, os especialistas fazem uma espécie de “enxerto”, que é administrado no receptor. “Se por um lado não agridem o organismo do paciente, essas células também não o protegem num primeiro momento. Assim, após o procedimento, o transplantado exigirá uma série de cuidados. Ele precisará ser monitorado clínica e laboratorialmente por um período de dois anos, visto que estará extremamente vulnerável. Um dos maiores riscos durante a fase de recuperação é a pessoa contrair uma infecção provocada por vírus ou fungos”, explica.

Os resultados dos transplantes haploidênticos realizados de forma experimental no exterior, reafirma o docente da Unicamp, estão sendo considerados promissores. “Dizendo de maneira simplificada, os médicos estão constatando que, adotados os cuidados necessários, o transplante pega rápido e também proporciona uma rápida recuperação do paciente”. Antes de a modalidade ser incluída entre os procedimentos do Hemocentro e da Unidade de Transplante de Medula Óssea do HC, destaca Cármino de Souza, será necessário cumprir algumas etapas preliminares. Uma delas é a aprovação da proposta por parte do Conselho de Ética e Pesquisa da FCM, que já a está analisando.

Próxima etapa
Outra etapa é a obtenção de recursos para o aparelhamento de laboratórios. Projeto nesse sentido já foi encaminhado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Se essas fases forem superadas a contento, a idéia é que os transplantes haploidênticos comecem a ser realizados já no primeiro semestre de 2007. A idéia é selecionar 20 pacientes portadores de leucemia mielóide aguda que tenham indicação de transplante, mas não tenham encontrado um doador de medula óssea compatível, aparentado ou não. Essas pessoas, diz Cármino de Souza, serão possivelmente escolhidas entre aquelas indicadas pelos centros de referência da área.

Se os transplantes gerarem os resultados esperados, eles poderão ser posteriormente estendidos para um número maior de pacientes. “É importante que a sociedade saiba, entretanto, que o transplante haploidêntico não é a solução definitiva para o problema da leucemia aguda e nem vem para substituir as terapêuticas já existentes. Ele é apenas mais uma possibilidade de tratamento da doença”, lembra o hematologista Cármino de Souza.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CONFIA SEMPRE!


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos os infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha.
Luta e serve. Aprende e adianta-te.
Brilha a alvorada além da noite.
Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição.
Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.
* * *
Meimei
(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier)

domingo, 6 de dezembro de 2009

DESCRIÇÃO E INDICAÇÕES DO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA



Transplante de medula óssea é um procedimento cirúrgico em que se transplanta medula óssea saudável para um paciente com uma função deficiente de medula óssea, geralmente em conseqüência de uma quimioterapia ou radioterapia para tratamento de um câncer. A medula óssea saudável pode ser do próprio paciente, extraída antes da quimioterapia ou radioterapia (auto-enxerto), ou de um doador (homoenxerto).


Descrição:
A medula óssea é um tecido adiposo mole, encontrado no interior dos ossos. Ela produz as células sangüíneas (glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos). Quando o paciente desenvolve uma doença das células do sangue (anemias, leucemias ou linfomas) ou quando o tratamento do câncer (quimioterapia e radioterapia) lesa ou destrói a medula óssea, um transplante de medula óssea pode salvar a vida do paciente. Os pacientes necessitam de transplantes de medula óssea ou porque eles têm contagens perigosamente baixas de glóbulos brancos (que são necessários para combater as infecções) em conseqüência dos tratamentos do câncer ou porque têm câncer no sangue.

Os pacientes submetidos a um transplante de medula óssea normalmente são tratados em centros especializados e permanecem em uma unidade especial (Unidade de Transplante de Medula Óssea), para limitar a exposição às infecções.

A medula óssea doada deve ser compatível com o tipo tecidual do paciente. Ela pode provir do próprio paciente, de um parente (geralmente um irmão ou irmã alógeno) ou de um doador sem parentesco (nos Estados Unidos, do programa de doação de medula óssea nacional que conta com mais de 700.000 doadores potenciais). Os doadores são escolhidos com base nos resultados de exames de sangue especiais, chamados de tipagem de antígenos de HLA (veja antígenos HLA).

A medula óssea é extraída do doador no centro cirúrgico, enquanto o paciente (doador) está anestesiado (sob anestesia geral). Parte da medula óssea do paciente (doador) é removida da parte superior do osso do quadril (crista ilíaca). A medula óssea é filtrada, tratada e transplantada imediatamente ou congelada e armazenada para uso posterior. O transplante de medula óssea é passado para o paciente (receptor) através de um cateter intravenoso e é transportado naturalmente para as cavidades dos ossos onde a medula cresce rapidamente e substitui a medula óssea antiga.

Indicações:
O transplante de medula óssea pode ser recomendado em:

- doenças caracterizadas por deficiência da medula óssea, causada por:
- glóbulos vermelhos (anemia aplásica)
- glóbulos brancos (leucemia ou linfoma)
- tratamentos agressivos contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
- doenças hereditárias (genéticas), como: talassemia

- doenças do sistema imune (imunodeficiência), como:
- neutropenia congênita
- síndrome da imunodeficiência combinada grave

A cirurgia de transplante de medula óssea não é recomendada para:

- pacientes com doenças do coração, rins, pulmões ou fígado
- pacientes com diabetes melito insulino-dependente (DMID)
- pacientes com outras doenças que podem limitar a sobrevida

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Novos bancos públicos de sangue de cordão





Novos bancos públicos de sangue de cordão entram em funcionamento até dezembro. A expansão da Rede BrasilCord, que reúne os bancos públicos de sangue de cordão umbilical, será iniciada pela região Sul, com a inauguração da unidade de Santa Catarina até outubro. Mas outras unidades já estão em fase final para entrar em funcionamento.

Em Pará e Brasília, a previsão de início das atividades é até dezembro.Ceará e Porto Alegre devem ganhar seus bancos no início de 2010. Os profissionais destas unidades foram treinados pela equipe do Instituto Nacional de Câncer (INCA), instituição responsável pela coordenação da Rede BrasilCord. Os treinamentos sempre são aplicados para as enfermeiras que vão trabalhar nas maternidades, com a coleta de cordões, e os técnicos que estarão nos laboratórios, processando o material para congelamento.

Para a farmacêutica bioquímica Liane Rohsig, a semana que passou no banco de cordão do INCA foi essencial para o trabalho que vai desempenhar em Porto Alegre. "Já tenho experiência com o processo de criopreservação (congelamento), mas o processo com sangue de cordão é diferente", explica. No Rio Grande do Sul, o banco de cordão está sendo instalado no Hospital de Clínicas, que conta com maternidade. "Isso vai facilitar e agilizar todo o fluxo de coleta e processamento do material porque os cordões vão ser captados na nossa maternidade", conta Liane.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Social, financia o projeto de expansão da Rede BrasilCord, com investimentos de R$ 31,5 milhões. A verba, gerenciada pela Fundação do Câncer, será utilizada para construção de oito novas unidades da Rede, que hoje conta com quatro bancos: INCA, Hospital Albert Einstein (São Paulo), Hemocentro da Unicamp (Campinas) e Hemocentro de Ribeirão Preto.

A meta é armazenar 50.000 unidades de cordão, número que, somado aos doadores voluntários de medula óssea, é considerado ideal para atender à demanda por transplantes no Brasil. Para contemplar a diversidade genética do povo brasileiro, a proposta é que existam bancos em todas as regiões do país. Os demais bancos a serem construídos serão instalados em Pernambuco, no Paraná e em Minas Gerais.